Iniciativa PALOP 4 Covid-19

Enquadramento

A pandemia do vírus SARS-CoV-2 coloca desafios imensos às sociedades e tem obrigado governos, instituições e cidadãos a participar ativamente nas medidas de contenção e mitigação da Covid-19, exigindo elevados esforços individuais e colaborativos.

Embora nenhum país esteja preparado para enfrentar uma pandemia desta ordem global, a progressiva disseminação geográfica do novo coronavírus e a sua predominância no hemisfério norte, tem criado condições em determinadas regiões para adquirir razoáveis conhecimentos científicos sobre o vírus e patologias associadas, bem como, redirecionar as capacidades das unidades científicas, tecnológicas e empresariais para desenvolvimento e produção de meios de diagnóstico e equipamento de biossegurança em grande escala, para responder às necessidades atuais.

O continente africano está a entrar na fase de elevada propagação do coronavírus, expondo a fragilidade dos sistemas nacionais de saúde, em termos de meios técnicos e humanos e causando elevados receios sobre o impacto que terá em países com recursos limitados.

Neste sentido e apelando aos valores de responsabilidade social das instituições em Portugal, é lançada esta iniciativa de apoio aos países africanos de língua portuguesa, que permita o reforço de capacidades técnicas e científicas para o diagnóstico e combate à Covid-19.

Esta iniciativa para países africanos de língua portuguesa tira partido das sinergias já estabelecidas e outras a criar para dar resposta a necessidades nacionais, através da elevada mobilização de comunidades académicas, científicas, de desenvolvimento tecnológico e inovação, cujos esforços concertados têm contribuído para aumentar a capacidade de resposta e atuação generalizada à crise de saúde pública atual.

Vetores de Atuação

 A iniciativa desenvolve-se em quatro ações distintas, em paralelo ou subsequentes:

1 – Envio de equipamento de proteção individual (EPI), bem como de material para colheita de amostras, algum doado e outro adquirido;

2 – Capacitação de laboratórios locais para a realização de testes, através do envio de equipamento tecnológico de apoio ao diagnóstico e material para colheita de amostras, bem como da disponibilização de formação técnica e especializada a nível laboratorial;

3 – Divulgação generalizada de informação mais básica e prática de biossegurança e vigilância epidemiológica, em português, para minimizar a contaminação pelo novo coronavírus, através de “webinars” dedicados;

4 – Estimular e apoiar o desenvolvimento da investigação científica local em áreas de elevada relevância, em matéria de contenção e mitigação de epidemias várias, mas com ênfase no controlo do SARS Cov2/COVID-19.

Implementação 

A Estrutura de Coordenação consiste numa Task Force instalada para coordenar e mobilizar os esforços e agentes necessários à operacionalização da iniciativa, que compreende o Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade Nova de Lisboa – IHMT UNL, o Centro Ciência LP e a Fundação para a Ciência e Tecnologia – FCT e que opera em plena articulação com:

  • Ministério dos Negócios Estrangeiros/Camões, Instituto da Cooperação e da Língua e Ministério Ciência, Tecnologia e Ensino Superior;
  • Embaixadas dos PALOP em Lisboa;
  • Entidades e organizações já envolvidas ou que o possam vir a ser.

Operacionalização

  1. Concertar Task Forces nos diversos PALOP, manter comunicação regular, identificar necessidades e determinar formas de apoio,
  2. Determinar verbas de financiamento direto ou “in kind” disponíveis para utilizar na iniciativa, e subsequentes meios/formas de eventual aquisição, com entidades do sector público e privado que possam ser mobilizadas para a iniciativa)
  3. Consolidar a identificação de necessidades: material de biossegurança, zaragatoas, Kits de PCR, equipamento de laboratório para PCR em tempo real, (kits “point of care”)
  4. Fazer o levantamento da “capacidade produtiva” dispersa de materiais e equipamentos em Portugal e determinar disponibilidades para envio para PALOPs,
  5. Concertar dimensão e composição dos envios de equipamento e programar os mesmos em articulação com governos de Portugal e países destinatários,
  6. Preparar e implementar as ações de formação online para técnicos de saúde de países africanos de Língua Portuguesa,
  7. Continuar a alimentar Microsite COVID360 IHMT/NOVA/CPLP articulado com sítio do Centro Ciência LP, para a disseminação de informação científica e de utilidade para a saúde pública, nomeadamente para os PALOP.

Faseamento da Operacionalização

Em função da limitação de recursos a disponibilizar e do balanço entre a atual conjuntura em cada PALOP (propagação da Covid-19 Vs capacidades locais de diagnóstico e combate), consideram-se várias fases de operação, privilegiando:

1 – Recolha e envio de equipamento de biossegurança e material para colheita de amostras – previsto para maio/junho em função da disponibilidade de voos: ações em curso: Angola, Moçambique

 

2 – Reforço da capacidade de diagnóstico local para a realização de testes com a formação técnica laboratorial, online – primeiros módulos em maio;

3 – Reforço da capacidade de diagnóstico local para a realização de testes com a aquisição de equipamento – aparelhos de PCR e kits de diagnóstico e respetivas ações de formação: ações em curso: Lubango

4 – Divulgação generalizada de informação mais básica e prática de biossegurança e vigilância epidemiológica, em português: ações em curso;

5 – Estimular e apoiar o desenvolvimento da investigação científica local – em curso.

Notas adicionais

Nos últimos dias tem-se verificado uma forte mobilização de entidades académicas, científicas e empresariais nacionais no apoio ao combate à Covid-19, com fortes expressões de solidariedade que estão a ser capitalizadas para esta iniciativa.

Como nota final e no âmbito desta iniciativa, inclui-se igualmente o aconselhamento e apoio às autoridades locais dos PALOP em possíveis compras de equipamento (EPI’s e outros) que pretendam fazer em Portugal, de forma a garantir a fiabilidade das empresas fornecedoras, a conformidade dos equipamentos e materiais com as regras definidas em Portugal e a adequação dos preços pedidos ao real valor de mercado, minimizando o risco de serem alvo de atividades especulativas, próprias destas conjunturas.

Para mais informações sobre a Iniciativa “PALOP 4 Covid-19” ou para apoiar, contacte a Task Force através do endereço info@ciencialp.pt